Luft estuda atuar em novos modais

Luft estuda atuar em novos modais

O anúncio de pacotes federais voltados às ferrovias, rodovias e portos tem despertado um interesse maior de empresas que já atuam em algum nicho da infraestrutura em ampliar o escopo de operação. De olho nessas oportunidades e no potencial de aceleração do ritmo de crescimento, o grupo de logística Luft se prepara para novos negócios.

Um dos projetos em estudo está vinculado à navegação fluvial interior, no qual a empresa pretende operar embarcações para movimentar grandes volumes, principalmente commodities.

A outra iniciativa em desenvolvimento está voltada à integração entre os modais rodoviário e ferroviário. A empresa quer estabelecer parcerias com operadoras ferroviárias para fazer a ligação dos transportes. Além disso, a Luft avalia oportunidades de aquisições para atuar no setor portuário.

“Queremos criar um modelo para botar a carga no lugar certo, um modelo de negócios baseado em cadeias de abastecimento”, diz o vice-presidente e um dos sócios do grupo familiar, Luciano Luft. “Queremos ser um consolidador. O cliente vai falar com uma única empresa.”

Para bancar os projetos, a Luft Logistics estuda contar com a entrada de um fundo de investimentos nesses segmentos específicos de atuação, mas não no grupo como um todo. Por meio do Itaú BBA, ela chegou a sondar empresas logísticas em 2012 para estabelecer algum tipo de fusão, que também poderia contar com um fundo de private equity, segundo o Valor apurou. O negócio, contudo, não foi adiante.

O vice-presidente afirma que a companhia não está à venda e que planeja realizar uma oferta pública inicial de ações. Até o momento, no entanto, não há nada preparado nesse sentido, apenas os resultados auditados desde 2006. “Temos falado com o mercado nos últimos quatro anos para entender qual caminho vamos seguir”, diz.

A Luft foi criada em 1975 na região agrícola de Santa Rosa (RS) e iniciou a atuação como uma transportadora de commodities e gêneros de consumo de primeira necessidade no Estado.

Além de Luciano, são sócios e integrantes do conselho de administração da Luft seu irmão, Fernando; seu pai, Mário; e seu tio, Ademar. No mercado, comenta-se que a maior resistência aos novos negócios e à entrada de acionistas parte da geração mais velha, mas que ainda assim a empresa estaria negociando com um fundo de investimento e uma empresa europeia.

Após crescer 16% no ano passado, o grupo Luft projeta uma expansão na casa dos 12% para 2013, com um faturamento aproximado de R$ 900 milhões. Segundo o vice-presidente, 2012 foi um bom ano, mas ficou abaixo da expectativa.

A ideia é acelerar o crescimento a partir de 2014, quando a empresa espera contar com alta anual da ordem de 20%. Apenas a expansão orgânica deve responder por 80% desse montante e o restante deve ser captado com a diversificação dos negócios.

A companhia opera no setor de saúde, responsável por 45% do faturamento, agronegócios (30%), Food Service (13%), varejo de internet (6%) e grandes volumes (6%). A Luft Logistics é a holding do grupo e atualmente reúne 15 empresas, mas o número vai cair para quatro ao fim deste mês, para reduzir a ineficiência fiscal e de gestão.

O grupo tem atualmente 4,3 mil funcionários e uma frota própria de 2 mil caminhões, que respondem por 85% das operações. Na carteira de aproximadamente 200 clientes, o negócio de saúde tem o maior crescimento, de cerca de 30% ao ano.

Reclamação comum no mercado logístico, a falta de mão de obra também foi citada pelo vice-presidente da Luft. O executivo diz que cerca de 40 caminhões estão sem motoristas atualmente. Ainda assim, Luft faz elogios à lei Nº 12.619 – conhecida como a Lei do Descanso dos Caminhoneiros.

“Como a nova lei, o negócio vai melhorar, mas a produtividade vai cair e a falta de mão de obra vai crescer. O setor vai passar por uma grande transformação e estamos olhando para isso”, afirma.

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